28 de set. de 2011

A Invasao do Funk Carioca

Não começou agora; já faz algum tempo que o gosto musical da massa paranaibense tem se mesclado com outras tendências musicais e comportamentais oriundos de outros centros que não as nossas matrizes sertanejas Campo Grande e Goiânia. Como já deu pra perceber, a onda do momento tem sido o funk carioca.


Esse estilo musical muito controverso foi mais uma das influências externas que nós, brasileiros, arranjamos um jeitinho de engolir e vomitar com o sabor das nossas entranhas. Tudo começou por volta dos anos 70, com os bailes embalados pelo soul, black e funk music importados dos EUA. Com o tempo, naturalmente os DJ's começaram a buscar novos ritmos de música negra, mas o termo "funk" permaneceu.



A partir da década de 80, os bailes funis do Rio de Janeiro começaram a ser influenciados por um novo ritmo da Flórida, o "Miami Bass", com letras erotizadas e batidas mais rápidas. Assim, as primeiras gravações do que viria a ser o funk carioca atual, eram apenas versões traduzidas ou adaptadas dos hits do "Miami Bass". Mas com o tempo, numa tendência natural de qualquer manifestação popular, as letras começaram a falar também do cotidiano daquele local, iniciando assim temas sobre violência e miséria nas favelas.


O gênero só formou sua própria identidade nos anos 90. O número de gravações cresciam devido à facilidade de realizar gravações caseiras (com softwares populares lançados naquela década) e a partir daí bastou a Xuxa gritar "Tá tudo dominado" pra coisa acontecer de vez. Na ocasião, o DJ Marlboro - um dos precursores do movimento no Brasil - era o sonoplasta do programa da Rainha dos Baixinhos. Outro fato que ajudou a consolidar o funk carioca, foram as torcidas de futebol incluindo temas do funk em seus gritos-de-guerra. Lembra-se do "Ah! Eu tô maluco" e "Uh Tererê" ?! Pois bem, eram apenas versões "abrasileiradas" de hits norte-americanos.


O funk que temos escutado com mais frequência é apenas a ponta de um vasto iceberg. Desde seu início, o funk talvez nunca tinha sido tão presente como está sendo agora, mesmo após termos sobrevivido a grupos como Furacão 2000, Bonde do Tigrão, Mc Serginho e Tati Quebra-Barraco, característicos por tocarem um "som de preto favelado, mas quando toca ninguém fica parado". Não posso deixar de fora a dupla Claudinho & Buchecha, assíduos no programa da Xuxa, mas que adotavam a linha do "funk melody", um estilo que flerta mais com as influências pop e românticas.


Ilustrando essa tendência cultural, por Paranaíba já passaram alguns bondes e mulheres frutas, mas talvez o que representa o auge do gênero em Paranaíba é a possível vinda do polêmico Mr. Catra, com suas letras escrachadas, erotizadas ou machistas. Talvez o que pouca gente saiba é que o cantor já atuou em país como: Alemanha, Rússia, Suécia, Suiça, Noruega, Holanda, Polônia, Dinamarca, Inglaterra e outros. Sua vinda a Paranaíba selará de vez o funk como moda na cidade.


Mas a pergunta que fica é: Até quando? Será que estamos diante de mais uma moda passageira, assim como foi a lambada, o porno-axé do É o Tchan, o pagode e o sertanejo universitário? Ou já está tudo dominado e ainda não compreendemos? Eu realmente não sei, mas acredito que o funk carioca dificilmente irá progredir para novos paradigmas musicais enquanto não progredirem os ouvidos de quem o escuta. Do contrário, tudo resumir-se-á sempre à bundinha…



texto publicado originalmente no jornal O Interativo


Nenhum comentário: