Diz a sabedoria popular que só temos uma vida completa quando plantamos uma árvore, escrevemos um livro e temos um filho. Pois então, pode-se dizer que a vida está quase completa para os senhores Sebastião Costa dos Santos e Jungi Ikeda. A história é a seguinte…
Em meados de 1968, Jungi e Sebastião trabalhavam no centro da cidade. O primeiro possuía uma oficina auto-elétrica (onde atualmente é a Drogamello), enquanto que o segundo fazia ponto de táxi do outro lado da rua. Nas horas de pouco movimento, geralmente Jungi, com então 21 anos, atravessava a rua para prosear com aquele senhor já um pouco mais velho que ele, Sebastião Costa, popularmente conhecido como "Tiãozinho Carcereiro", que na época andava sobre os 37 anos de idade. Em pé ou sentados debaixo do sol escaldante desse nosso cerrado, provavelmente a idéia de plantar naquele local uma árvore que fizesse bastante sombra ocorreu de modo natural aos companheiros e vizinhos de serviço.
Caminharam então até as dependências do antigo fórum municipal, que era em frente onde hoje é o Palace Hotel, no centro da cidade, e colheram duas mudas de uma figueira que ali existia. Retornaram ao local dos fortuitos encontros, e uniram ali mesmo as duas mudas de figueira ao solo da praça municipal. A partir daí, a própria natureza encarregou-se de fazer o resto, era época de chuva, o que dispensava um zelo mais apurado. E foi assim, segundo Jungi, "sem gastar um centavo", que eles iniciaram a história das duas gigantes árvores que enfeitam a nossa Praça da República.
Além de enfeitar, os dois exemplares da Ficus elástica robusta (nome científico da planta) fazem uma aconchegante e disputada sombra, que abriga pedestres, comerciantes ou carros que querem estacionar. Seus galhos atravessam a rua e estendem-se até o prédio vizinho, enquanto que suas raízes estão espalhadas num raio de aproximadamente 30 metros. Jungi Ikeda acredita que debaixo da figueira circulam cerca de 300 pessoas por dia. E realmente a estimativa tange esse número, pois quem é que nunca parou ali para descansar, comer um pastel, estacionar o carro ou aguardar a chamada da sua senha da fila do banco? Ou quem, assim como eu, já não brincou de Tarzan nos cipós daquelas duas figueiras?!
Após 43 anos desde o dia em que plantou casualmente as duas árvores para fazer sombra enquanto trabalhava, Sebastião Costa está aposentado como investigador da Polícia Civil. Além do patrimônio deixado a todos os paranaibenses, é pai de quatro filhos e avô de seis netos. Na casa em que habita, o Sr. Sebastião ostenta na estante da TV uma fotografia sua, posando entre as duas figueiras, onde a legenda não deixa dúvida da data do plantio: Outubro de 1968.
Já o Sr. Jungi Ikeda, afirma que na época jamais imaginaria que aquelas duas mudas de Ficus resultariam no que é hoje, mas emociona-se quando interrogado sobre o que passa por sua cabeça sempre que reflete sobre as duas árvores, pois sabe que, junto com Sebastião, plantou um patrimônio para a cidade. Além disso, Jungi continua semeando outras mudas pela cidade, pois é algo que faz com prazer e naturalidade. E pode ser que, daqui a 43 anos, alguém que esteja passando pela avenida do Carnaíba, ali nos fundos do Paranaíba Tênis Clube, se pergunte quem foi que plantou aquele cajueiro e outras árvores ao redor do córrego.
Além das duas figueiras e diversas outras árvores na cidade, Jungi Ikeda também é pai de três filhos e avô de duas netas.
Observando essa história, eu me pergunto: quem, numa época tão imediatista como a nossa, teria a sabedoria de plantar, despretensiosamente, duas figueiras que levam 10 anos para crescer? Certamente um exemplo a ser seguido por todos nós.
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