16 de ago. de 2011

Arctic Monkeys - Suck it And See


Suck It and See (Domino – imp.) ****

Em seu quarto álbum de estúdio, a banda inglesa faz jus à adoração causada por seus bons discos anteriores, embora a sonoridade esteja um pouco distante daquilo mostrado no passado.

O retorno do produtor James Ford, integrante do duo eletrônico Simian Mobile Disco e que trabalhou nos três primeiros CDs do grupo, tirou um pouco da tensão maravilhosamente arquitetada no disco anterior, o ótimoHumbug, de 2009, produzido por Josh Homme. Mesmo assim, a influência deste último ainda está presente em algumas faixas, justamente as mais poderosas, como a excelente “Don’t Sit Down Because I Moved Your Chair” e a reverente “Brick by Brick”, uma evidente homenagem a Iggy Pop cantada pelo baterista Matt Helders, que alterna dinâmicas de uma maneira pouco usual para realçar os timbres cheios de efeitos das guitarras de Jamie Cook.

Há outros momentos de maior intensidade sônica, como em “All My Own Stunts”, que traz inclusive osbacking vocals de Homme, e em “Library Pictures”, que resgata um pouco as raízes da banda exibidas em seu disco de estreia, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, de 2006, mas são os licks tensos de “She’s Thunderstorms” que oferecem logo de cara as pistas para desvendar os caminhos deste álbum de modo certeiro.

Perdura por todo o disco uma nítida influência do Echo & The Bunnymen, principalmente em faixas como “Love is a Laserquest”, “That’s Where You’re Wrong”, “Black Treacle” e a própria faixa-título. Já “Piledriver Waltz”, “The Hellcat Spangled Shalala” e “Reckless Serenade” são bastante calcadas no som de Morrissey, até mesmo na maneira com que o guitarrista/vocalista Alex Turner as interpreta.

Naturalmente, a demanda de atenção que este trabalho exige certamente não é necessária para diagnosticar a postura da banda em não passar longe de uma seara mais facilmente digerível em termos comerciais. Com isso, o quarteto tornou este disco um documento bastante representativo do que pretende em termos artísticos.

por Régis Tadeu

Um comentário:

Marcello Zalivi disse...

Boa análise como sempre.