Quando Nivaldo de Souza Chaves Junior decidiu percorrer os caminhos que o levariam à concretização do Segundo Aberto de Tênis de Paranaíba, talvez estivesse mais otimista em relação à época em que realizou a primeira edição do mesmo torneio, em meados de 2007.
Na ocasião, a administração municipal negou qualquer apoio financeiro, colocou a culpa na burocracia dos órgãos públicos. Além disso, conforme Nivaldo, ninguém teria indicado o caminho certo para captar recursos no município, embora tenha denotado o mesmo entusiasmo do torcedor do CAP quando Nivaldo bateu-lhe à porta.
Resignado, porém não menos confiante, o paranaibense, que na época completava 21 anos, contou com a sorte de ser assessorado pelo experiente Ibrahim Kalill (outro funcionário da prefeitura) que entendeu e demonstrou interesse no que o rapaz estava propondo. Graças aos contatos de Ibrahim, Nivaldo garimpou no comércio a quantia aproximada de R$450,00 e apoios diversos (troféus, medalhas).
Ao sentir que era possível realizar o projeto, lançou a notícia entre o círculo dos tenistas da cidade. Dezesseis atletas inscreveram-se na competição ao valor de R$15,00, e assim se fez o Primeiro Aberto de Tênis de Paranaíba: com um orçamento de R$700,00 e uma divulgação restrita, realizado no Paranaíba Tênis Clube (P.T.C.).
Nivaldo cursa o último ano de Administração pela UFMS e pratica tênis desde os 12 anos. Considera-se desempregado, embora faça bicos de professor de tênis a qualquer dia e hora da semana, ensinando jovens e adultos que se aventuram nesse aparente restrito universo das raquetes. Quando interrogado sobre a cultura do esporte na cidade, ele não titubeia e aponta os principais obstáculos ao crescimento do número de praticantes: "falta de incentivo público e desinteresse coletivo", diz. Mas acredita que se a Secretaria de Esportes abraçasse a causa, os ventos soprariam a favor do esporte em Paranaíba. Nivaldo defende que, com um investimento de cem reais e mais um amigo, é possível começar a jogar tênis.
Como todo brasileiro, já praticou futebol na adolescência, mas reconhece que ainda não temos o traquejo cosmopolita de nos abrirmos para esportes que fogem à nossa cultura mediana, tal qual o tênis; e sabe que, se não fosse pelo feito de Guga em ganhar a etapa de 1997 do disputado torneio de Roland Garros, certamente o esporte ainda seria obscuro a muitos brasileiros. Como cidadão, Nivaldo gostaria que todas as iniciativas que oferecem uma opção saudável aos jovens, fosse firmemente agarrada pela sociedade e seus representantes. E mesmo que as falhas existam, faz a sua parte.
Talvez o otimismo preservado após o primeiro torneio ajudou-o, quatro anos depois, na realização do Segundo Aberto de Tênis de Paranaíba. Já um pouco mais experiente, estava certo de que não conseguiria nenhum patrocínio munido apenas de boa vontade e paciência. Para a segunda edição do torneio, contou com a ajuda de amigos bem conhecidos nos círculos sociais que não o dele.
Nivaldo ri ao relatar a facilidade com que seus camaradas, que também praticam tênis, conseguiram levantar R$850,00 de patrocínio; em algumas ocasiões, o patrocinador nem precisou ouvir o resto da conversa e abriu a carteira, ignorando o destino de seu investimento. O tenista acreditou que os seis patrocinadores estariam lá no P.T.C. pra conferir o Segundo Aberto de Tênis de Paranaíba, mas lamenta que apenas um deles tenha demonstrado maior interesse em saber mais do esporte. Para Nivaldo, o importante não é apenas a realização pontual dos torneios, mas também fomentar a prática do tênis na cidade, de modo que mais pessoas se interessem pelo esporte, o que, garante ele, atribui valor à saúde física e mental dos que o praticam.
Ainda assim, comparado ao de 2007, o torneio deste ano serviu para ilustrar que, com experiência e apoio, é possível realizar qualquer projeto cultural ou esportivo em Paranaíba. Nessa última etapa, que ocorreu de 14 a 22 de Maio deste ano, a arrecadação total foi de R$1.100,00 e o número de participantes dobrou para trinta pessoas, divididas em duas categorias (iniciante e intermediário), entre elas havia gente de Santa Fé do Sul e Cassilândia, além de paranaibenses que estudam em outras cidades.
Eu assisti a duas partidas e posso confirmar o sucesso do projeto, não apenas pelo seu respaldo social à nossa comunidade, mas por perceber a seriedade e emprenho dos jogadores em quadra. Após a competição, conta Nivaldo, o ânimo dos tenistas estava maior e todos ansiosos por jogar o Terceiro Aberto de Tênis de Paranaíba. Interrogado, Nivaldo conserva o otimismo para empreender a terceira edição em 2012, e assim, quem sabe, fazer sua parte para enraizar o esporte em Paranaíba.
Um comentário:
Boa iniciativa, creio eu que se estivermos rodeadas de pessoas com vontade de fazer a coisa acontecer, teremos orgulho de dizer "Paranaiba é uma Otima cidade" Não se vira as costas para Esporte e Eduacação.
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