11 de jul. de 2011

Minha segunda homenagem a Paranaíba em menos de um mês

ANIVERSARIANTE ESQUECIDA*



Estamos diante de uma triste realidade que pode ser mudada. Nosso aspecto cultural rude, carregado de tradições e desconfianças, deve dar lugar ao bom senso e à criatividade, pois, se ficarmos repetindo as mesmas fórmulas do passado, continuaremos presos no passado.


Essa comemoração do aniversário de Paranaíba foi a coisa mais vergonhosa que eu já presenciei como cidadão paranaibense. Ao passo que nossa velha cidade envelhece, os cidadãos agem como se tudo por aqui estivesse enfim se resolvido, não restando nada mais a fazer a não ser uma comemoração bêbada e alienada.


O que se viu foi a repetição da mesma fórmula dos anos anteriores: um show de desperdício, abuso e falta de bom senso. Gente usando o aniversário da cidade como palanque político, ou para levantar lucros exorbitantes, ou apenas para embebedar-se inconseqüentemente; e o saldo é o de sempre: no fim das contas, ninguém - governantes, mídia, pecuaristas, comerciantes - pensa na cidade.


A começar pelo tradicional Churrasco Popular, tudo aquilo não significa nada além de desperdício gratuito de alimento. Muita carne desperdiçada em nome de quê?! Infelizmente, apenas o retrato do que somos: um povo que não enxerga suas mazelas e, literalmente, joga comida fora enquanto outros não têm o que comer. Porque no lugar do Churrasco Popular, o mais sensato seria uma doação de todo o alimento arrecadado. Sim, um gesto mais nobre do que a cena lastimável protagonizada na praça do Carnaíba, com desperdício e falta de senso coletivo, com gente levando embora carne assada em caixas de isopor, e deixando, como agradecimento, uma montanha de pratos e copos descartáveis acumulados no local.


Da praça do Carnaíba seguimos para o Recinto de Exposições. Pode até ser que os pecuaristas tiveram êxito nos leilões. Bom pra eles. Mas em termos de festa, nenhuma novidade: preço abusivo na portaria, eliminando qualquer possibilidade de se fazer uma festa POPULAR, como se fazia durante os Anos Dourados de Paranaíba. A realidade é que estamos estagnados, e os R$30,00 de portaria não condizem com a atual situação do município. Assim, os preços abusivos restringiram o acesso de muitas famílias à festa, o que a torna um evento para poucos privilegiados. Pode até ser que de seus camarotes fique difícil de enxergar, por isso recomendo aos organizadores que coloquem tudo na ponta da caneta (custo de entrada, bebida e comida), e concluam se é possível uma família de três pessoas freqüentar mais de um dia de Exposição.


Culturalmente, o que tenho notado é um empenho cada vez maior em separar as classes sociais nos eventos promovidos em nossa cidade, sejam eles de iniciativa particular ou pública. Essa tendência já contaminou o Carnaval e está chegando ao cúmulo do ridículo na Expopar, com a disponibilização de Camarotes VIP's e afins. Será que os patrocinadores ainda não notaram no que estão investindo? É a velha luta de classes exposta na mesa, fomentando ainda mais a diferença e a raiva daqueles que assistem tudo por baixo ou do lado de fora.

Uma Expopar verdadeiramente social poderia promover informações, cinema gratuito, oficinas de arte e artesanato, palestras, debates e etc, algo bom para todos, pois faria da cidade um palco de ações construtivas.


E mesmo que se argumente que os R$30,00 investidos na portaria da Expopar seja para assistir ao show, devo dizer que nem todos gostam do desgastado gênero sertanejo; por isso o mais razoável seria diversificar a agenda com shows de rock ou MPB. Que eu me lembre, jamais uma Expopar promoveu show que não fosse sertanejo.


Por fim, todo argumento da necessidade de segurança e portaria caiu por terra junto com o pobre trabalhador brasileiro, assassinado enquanto trabalhava de segurança na festa, deixando sua vida e seu sangue no chão de uma cidade que comemorou 154 anos, mas que não recebeu nenhum presente, e muito menos um futuro.



*este texto faz parte da coluna CONTRAINFORMAÇÃO, semanalmente no jornal O Interativo.

Um comentário:

Anônimo disse...

infelizmente é assim.... isso é triste....
deplorável............