1 de dez. de 2011

Alípio - o Sapateiro Poeta



Do mato à cidade


A vida segue calma e mansa pra quem sabe guiar-se pelos caminhos que ela oferece. Aos que arriscam-se desatentos, resta apenas a boa sorte.

Para essa sabedoria, o poeta Alípio - sujeito simples, de fala mansa e voz grave - tem uma na ponta da língua: "Em rio que tem piranha, jacaré nada de costas". E não acabam por aí as rimas e versos que brotam da alma desse poeta paranaibense, nascido em 1943, às margens do Rio Barreiro, numa rústica cabana, em meio ao mato do cerrado.

Alípio Ferreira de Moraes, filho de Bento Ferreira de Moraes e Emiliana Rosa da Conceição, começou a fazer rimas e versos aos sete anos, segundo ele, "para conquistar as meninas". Fosse em meio ao trabalho na roça ou durante o caminho à cidade, quando percorria a estrada de chão para buscar provisões na pequena vila de Paranaíba, a mente de Alípio sempre esteve conectada à arte da rima.

Por sorte, reconhece, com muita sabedoria o seu pai deixa a zona rural e decide mudar-se pra cidade em 1955, com o único intuito de educar os filhos na escola. Isso deu oportunidade ao jovem de conhecer as letras e outras ciências. Aluno muito estudioso e aplicado, Alípio retira o diploma do 4º ano em 1958, aos 15 anos, com notas que denotam um fervoroso gosto pelos estudos, o qual ele conserva até hoje.


A obra


Ainda assim, Alípio somente começou a conceber sua obra de poeta há pouco menos de 10 anos, devido ao incentivo de seus familiares e amigos. A partir disso, começou a juntar e produzir material para o primeiro disco, e então sua identidade de poeta desenvolveu-se e amadureceu. Sapateiro por profissão, poeta por necessidade, Alípio já lançou dois álbuns com poemas próprios e de outros.

Gravados com um orçamento modesto, a produção de "Frango na Cara" (2006) e "Filho do Mato" (2011) é do próprio autor, que concebe tanto a arte de capa bem como as músicas tocadas no fundo de cada verso do disco. E antes que você pense que é apenas um trabalho despretensioso, todos os seus poemas estão registrados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, selando definitivamente sua obra para a posteridade, e protegendo-o de possíveis aproveitadores.


Estilo


Tendo consigo a poesia desde menino, Alípio desenvolveu seu estilo com muita personalidade e perspicácia, dominando hoje (como poucos) a arte da poesia sertaneja.

Seus poemas são concebidos para serem declamados; enquanto a métrica de cada verso confere a rítmica perfeita para seu estilo de declamação, as rimas simples e alternadas proporcionam estrofes capazes de contar muitas histórias, como, por exemplo, a famigerada história (já contada aqui no Espaço Por Fora) sobre o finado João Simão, no poema "João Simão e o Batedor". Ou então sua mais famosa poesia, que dá nome ao seu primeiro disco "Frango na Cara", que conta a história de uma esposa furiosa com o marido.

"Filho do Mato", o seu mais novo álbum de versos, segue a mesma fórmula do álbum anterior, porém os 13 poemas são inéditos, todos de sua autoria, cada um com cerca de três a cinco minutos de duração, semelhante ao tempo das canções populares. Essa é também uma outra fórmula escolhida por Alípio, o que garante seu sucesso como poeta, já que ele não gosta de perder tempo, preferindo mandar o seu recado sem muitos rodeios e antes que o ouvinte tenha a atenção desviada.

Por isso, "Frango na Cara" e "Filho do Mato" são discos de poemas muito bom de serem ouvidos. Na abertura do segundo, o poeta traz um alerta no poema "O Fumante", e posteriormente retoma com conselhos e sabedorias populares em "Filosofando". Na poesia "Filho do Mato", o poeta paranaibense conta um pouco de sua vida, tendo como pano de fundo a paisagem rústica do sertão sul-matogrossense. "Caboclo Genuíno" é sua homenagem ao amigo Dico Quirino, outro saudoso poeta paranaibense; e em "Pescaria de Poetas", Alípio demonstra o reconhecimento a outros colegas de rima. Esses são apenas alguns dentre os outros poemas que compõe a sua obra.


O poeta do povo


Entre o cotidiano na sapataria e a lida com a pena, o poeta segue de peito aberto construindo novas rimas para seus admiradores. Mas quem quiser juntar-se aos inúmeros ouvintes que acompanham Alípio, terá que acordar bem cedo, pois o poeta sertanejo está ao vivo, todas as sextas, às 5:30 da manhã na Rádio Difusora AM. Segundo o próprio poeta, há quem não comece o dia sem ele!



ONDE ADQUIRIR OS DISCOS?

Sapataria do Alípio - Rua Theódulo Mendes Malheiros, 1075 - Santo Antônio.

Escritório O Interativo - Rua Dr Mário Correia, 1.200 - Centro.


O poeta Alípio tem um recado para os políticos! Veja em www.interativoms.com.br


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