22 de out. de 2011

O Tereré, a cultura e a política


Herdado dos nossos ancestrais indígenas, adotado por nossos irmãos paraguaios e posteriormente chegando ao Mato Grosso do Sul, o tereré é atualmente um dos principais elementos da cultura sul-matogrossense. Fora da região sul, o nosso estado é o que mais produz a erva-mate, demonstrando o quão importante tem sido essa bebida para nossa economia e cultura.


A erva-mate (de nome científico Ilex paraguariensis) utilizada no preparo da bebida é a mesma do chimarrão, embora o preparo das duas seja diferente, onde a do tereré resulta de uma tritura grossa, enquanto que a do chimarrão é mais fina, assemelhando a um pó verde.


As origens da bebida possui várias versões, uma delas diz que, para não acender fogueiras nos acampamentos, os soldados combatentes na Guerra do Paraguai começaram a beber mate frio, evitando denunciar suas posições ao inimigo. Outra versão da origem é que os indígenas, ao levarem o gado de um lugar ao outro em comitivas, usavam a erva para coar a água dos rios, evitando assim a doença da barriga-d'água.


Como estamos numa região de muito calor, o tereré tornou-se um meio muito eficaz e prazeroso para a ingestão de água, o que não só alivia o calor mas ajuda o metabolismo do corpo. Uma substância presente no tereré é a cafeína, daí a sensação revigorante causado pela bebida.


Embora tenha sua importância cultural e econômica, o tereré é muitas vezes estigmatizado como prática de "quem-não-tem-mais-o-que-fazer-na-vida". Julgado e condenado pelas regras da moral e boa aparência, o tereré chega a ser proibido em empresas e comércios da cidade, o que certamente não ocorre em cidades da região sul do país, onde o chimarrão é igualmente consumido por todos, e muitas vezes disponível aos clientes, assim como o cafezinho ou o chá. Em muitas entrevistas de personalidades políticas, é possível ver algum gaúcho empunhando a cuia de chimarrão, pois fazem questão de mostrar quem são através de seus símbolos culturais. Já aqui em Mato Grosso do Sul, não temos ainda essa relação estreita com o tereré, o que é uma pena, pois assim deixamos de valorizar mais um elemento importante da nossa cultura.


Porém, alternativas políticas não faltam para quebrar essa imagem condenada da bebida. Investimento em propagandas, concursos e festivais que promovam o tereré podem ser feitos tanto pela inciativa pública como a privada. O que se deve ter em mente é que, mesmo sendo uma bebida de consumo recreativo, possui funções positivas tanto na cultura quanto na saúde e economia.


Ainda que estejamos longe de ter oficialmente o tereré como símbolo do nosso estado, a realidade demonstra que falta apenas política e mais atenção ao fato, porque a verdade é que por aqui todo mundo sabe como preparar o tereré, sendo que cada um de nós podemos fazer parte algum dia da mesma roda. Não há (quase) nada mais político do que isso. Caso haja mais investimento na reafirmação e difusão do tereré, quem sabe um dia não veremos nossas lideranças empunhando a cuia de tereré com o mesmo orgulho com que fazem os sulistas.


Nenhum comentário: