6 de set. de 2011

Nasce mais um clássico paranaibense*

Finalmente foi lançado, em 25 de Agosto, o livro "Paranaíba, Minha Querida" (All Print Editora, 201 páginas, R$ 30,00) da escritora, pintora e musicista paranaibense Nancylta Salgueiro Dias, morta em 1997 em São Paulo.

O livro trata-se de uma reunião de 53 crônicas que Nancylta Salgueiro escreveu durante o tempo em que foi colaboradora do extinto Paranaíba Jornal, com a coluna homônima a sua obra póstuma.


Com uma incrível habilidade narrativa, aliada às experiências que a vida proporcionou a Nancylta Salgueiro, Paranaíba, Minha Querida é um valioso convite à história de Paranaíba, tendo como ponto de partida a primeira impressão da autora sobre a cidade, numa época em que não havia água encanada, energia elétrica, automóvel, asfalto, rádio, jornal ou piano.


Casos que correram à boca pequena, festas inesquecíveis, crimes bárbaros, eleições fraudulentas, datas marcantes e ocasiões curiosas; nada disso passou impune à sensibilidade da escritora, que aproveitou o momento certo da vida para narrar suas impressões com muita perspicácia e beleza.


Contado através das janelas de sua memória, cada crônica do livro desenha um pouco a paisagem cultural de nossa cidade, bem como as dificuldades e a vida política daquele tempo, oferecendo ao leitor o viés que nos conduz à realidade social, política e cultural contemporânea. Em diversos momento, o livro também narra sobre a vida e a obra de ilustres paranaibenses, dos quais, muitos foram homenageados com nomes de ruas, avenidas e escolas publicas.


A Paranaíba que viram os olhos de Dona Nancylta pela primeira vez, foi a Paranaíba dos sertões sob a bandeira do estado de Mato Grosso. e ainda com o "Santanna" precedendo o nome oficial atual. Vinda da capital nacional Rio de Janeiro após casar-se com o paranaibense Walter Faustino Dias, aportou por essas bandas em 1946 - um ano após o fim da Segunda Guerra Mundial. O livro traz então pinceladas e expressões de sentimentos desde esse fortuito dia, que marcou a vida dessa carioca sul-matogrossense, que soube, como ninguém, definir os rumos da cultura paranaibense.


"Paranaíba, Minha Querida" é uma obra que nasce com o status de clássico da literatura sul-matogrossense, sendo uma leitura muito prazerosa e necessária ao cidadão que ama esta terra.





Biblioteca Municipal Nancylta Salgueiro Dias



Situada na divisa entre o Centro e o Jardim Santa Mônica, na rua Treze de Maio, a biblioteca municipal que leva o nome da autora paranaibense é um ambiente calmo, aconchegante, e tem o formato de um livro aberto. Com aproximadamente 15.000 exemplares - sendo que até agora estão cadastrados exatos 13.856 - a Biblioteca Municipal Nancylta Salgueiro Dias possui ainda espaço para estudo e leitura, além de internet livre aos usuários, recebendo em média 400 visitas por mês. O lançamento do livro "Paranaíba, Minha Querida" e o coquetel foram feitos, a pedido dos familiares, na própria biblioteca, que agora contém uma placa em homenagem à patrona do espaço cultural.


Das visitas mensais: empréstimos, devoluções, pesquisas, procura de livros novos, visitas escolares, além de estudantes que buscam o conforto e a paz do ambiente para estudar com mais afinco, como é o caso da estudante do 3o ano do Ensino Médio, Laís Aparecida Miranda de Souza, 16, a qual encontrei estudando matemática numa das mesas do andaime da biblioteca.


Com um modesto orçamento mensal que sustenta os gastos e manutenção do espaço, infelizmente o acervo da biblioteca está desatualizado e carece também de um sistema interno informatizado. Um investimento nesses dois pontos colocaria a biblioteca num patamar mais elevado, pois certamente aumentaria o número de vistas mensais, além de tornar o controle e manutenção do acervo muito mais rápido e fácil.



*matéria veiculada originalmente no jornal O Interativo

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