28 de ago. de 2011

VISUALIZANDO...

A comunicação humana está muito além das palavras verbais ou escritas. Num diálogo, por exemplo, grande parte da mensagem é transmitida pela entonação da voz, pela gesticulação das mãos ou pela postura do corpo.


No âmbito da comunicação de massa, temos como grande conector social a internet, a televisão, o rádio, os out-doors, as camisetas, os rótulos, e este próprio jornal que você lê agora. Pois bem, ciente de que o poder da comunicação e a capacidade de construir linguagens é o que nos faz humanos e menos solitários, o homem explora essa capacidade desde a infância de sua breve existência aqui neste planetinha minúsculo.


Portanto, não é de hoje que as pessoas utilizam os espaços públicos como meio para transmissão de mensagens. E olha que isso acontece há pelo menos 10 mil anos, tendo como exemplo as pinturas rupestres - vestígios pré-históricos registrados em cavernas por todo o mundo, inclusive pertinho daqui, em Serranópolis-GO, onde há o mais importante parque nacional sobre vestígios da humanidade que existiu antes da invenção da escrita.


Sendo assim, com a edificação das cidades por todo o mundo, e a conseqüente construção de muros para demarcar territórios, somente alguém muito inocente para acreditar que o homem interromperia sua necessidade natural de comunicação para abdicar da exploração dos muros para sua manifestação pessoal, seja ela artística, política ou mercadológica.


Exemplo interessante é o de Epicuro. Considerado um dos grandes filósofos gregos, propagou parte de suas mensagens escrevendo nos muros ao redor do principal mercado de Atenas. Suas mensagens eram basicamente pequenas frases sobre paz interior e qualidade de vida. A diferença disso, é que os homens de hoje preferem fazer propagandas de felicidade e bem-estar por meio dos produtos e bens de consumo, e não só expandiram os muros como criaram os out-doors.


E o que a arte tem a ver com isso? Bem, a arte também faz parte desse vuco-vuco todo que abrange a comunicação. A única diferença é que, pelo ponto de vista da arte, o valor da obra está na técnica, na beleza ou na originalidade da expressão realizada, em que não cabe julgamentos com base nos códigos morais. Por isso, os limites entre conceitos sobre grafite, pichação, estêncil ou declarações de amor incitam boas discussões. Vandalismo? Falta-do-que-fazer? Arte? Propaganda? O que você quiser chamar…


Por isso, nesta semana colhemos várias imagens do que os muros de Paranaíba têm a nos dizer. Como um registro social, antropológico e histórico, algumas imagens interessantes surgiram nessa pesquisa.

























Um comentário:

Renata disse...

Essas pichações eu não acho bonito, mas grafite eu acho lindo. Podia ter mais deles na cidade, só para ficar mais colorida.